As mudanças feitas pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) – homem de confiança do governador de SP, Tarcísio de Freitas (Repub) – no PL Antifacção apresentado pelo governo Lula – cria brechas, enfraquece instrumentos de investigação sobre o crime organizado e atende interesses de grupos que buscam proteção política e econômica.
A avaliação é do líder do PT na Câmara Federal, deputado Lindbergh Farias (RJ), ao comentar o texto aprovado pela Casa na noite de terça-feira (18), com os votos contrários do partido.
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“Estamos convencidos de que esse projeto prioriza a blindagem, e retira forças da Polícia Federal e da Receita Federal”, afirmou ele.
Lindbergh também citou entrevista de Fernando Haddad, realizada nesta quarta-feira (19), em que o ministro da Fazenda avalia que o novo texto “asfixia financeiramente a Polícia Federal e a própria Receita”. Além de “facilitar a vida dos líderes do crime organizado”, ao mesmo tempo em que “fragiliza as operações de fronteira, da aduana”, que é de competência da Receita Federal.
Segundo o líder, o texto de Derrite também cria insegurança jurídica e dificulta bloqueios de bens, uma vez que enfraquece o combate ao financiamento das organizações criminosas, justamente o eixo da proposta original de Lula.
Proteção
Lindbergh classificou o relatório aprovado como parte de uma estratégia de setores que querem desestruturar o trabalho da PF e proteger grupos poderosos atingidos por investigações recentes.
Para o petista, o movimento não é isolado. “Alguém aqui tem dúvida de que o governador Cláudio Castro (PL-RJ) estava com medo da investigação do Carbono Oculto?”, questionou. “Alguém tem dúvida de que tem muita gente neste Parlamento preocupada com a prisão de Daniel Vorcaro (dono do Banco Master) ? É só o começo”, previu o parlamentar.
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