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‘Os Ímpares’ reúne o som de Tom Zé com David Byrne, Chico Brown, Lan Lanh e Caio Prado

(Foto: Instagram/Reprodução)

Um som diferente que demorou a ser compreendido, mas que logo ganhou fãs até fora do Brasil. Essa é uma das definições do álbum “Estudando o Samba”, de Tom Zé. Lançado em 1976, e elogiado por figuras como David Byrne, ele agora é homenageado por Caio Prado, Lan Lahn e Chico Brown, que reinterpretam duas faixas do disco no último e inédito episódio da segunda temporada de “Os Ímpares”, que estreia com exclusividade no Curta!.

Viabilizada pelo Curta! através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), a série, com direção de Ísis Mello e Henrique Alqualo, e direção musical de Felipe Pinaud, resgata álbuns influentes da música nacional. Ao convidar artistas da cena contemporânea para reimaginar duas canções, a produção apresenta discos que, à época do lançamento não tiveram sucesso, mas que depois se tornaram peças fundamentais da cultura e da música brasileira.

(Foto: Reprodução)

É o caso de “Estudando o Samba”. O trabalho surpreendente e ousado do tropicalista não agradou nem a crítica nem ao público. No fim dos anos 80, porém, o disco foi redescoberto e relançado por David Byrne, do Talking Heads. A partir daí, o álbum foi aclamado pela imprensa internacional, com matérias elogiosas em publicações especializadas como a Rolling Stone, Time Out e a Pitchfork.

Acho que foi na minha primeira viagem para o Brasil, para o Rio, para um festival de cinema que conheci algumas pessoas que me perguntaram se eu queria fazer compras. Entramos numa loja de discos e falaram de Zeca Pagodinho. Aí eu vi esse álbum com o arame farpado na capa, enquanto os outros tinham mulheres e pensei que era uma coisa diferente. Coloquei na minha vitrola e fiquei chocado e encantado

diz David Byrne em depoimento especial para a série.

Esse disco tem tantas histórias. Foi feito com verdadeiras comédias e tragédias. Fui tentando fazer uma aproximação com tudo que o samba fez de melhor e levando isso ao extremo do incomparável

recorda e se diverte Tom Zé.

Ele ganhou novos fãs, entre eles Caio Prado. O artista gravou novos sons para a música “Mãe (Mãe Solteira)”, um símbolo de uma carreira ousada e criativa.

Todo mundo que conhece o trabalho do Tom Zé vê ali um artista sem medo de errar. Quando pensei em fazer essa música foi uma coisa irreverente, uma experimentação, foi pular numa arte que tem tantas possibilidades

afirma Caio Prado.

Coube a Chico Brown e Lan Lahn reinterpretar a canção “Menina, amanhã de manhã”, uma crítica ao ufanismo da Ditadura Militar. Chico ressalta que a versão original é perfeita, feita com precisão por Tom Zé, mas que era possível brincar com as harmonias, como fez a Lan Lahn.

Quando a gente começou, conversamos de trazer essa coisa mais lenta no início, era a atmosfera de tentar fazer uma música acordando. O sonzinho de bambu é o vento e as coisas vão acontecendo, aquele assobio, uma espreguiçada, aí a música vai esquentando, ganha ritmo

explica a percussionista.

“Os Ímpares” é uma produção da Das Minas Produções. O episódio pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro tv+ e no site oficial (CurtaOn.com.br). A estreia é no dia temático Segundas da Música, 08 de setembro, às 21h.

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Aquiles Marchel Argolo

Jornalista, escritor, fã de cultura pop, antirracista e antifascista. Apaixonado por comunicação e tudo que a envolve. Sem música a vida seria impossível!

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