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Meia hora de cerveja

(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Mesmo com sol de rachar e calor inclemente, as ruas dos 27 Estados brasileiros foram ocupadas pelos protestos contrários ao Projeto de Anistia que beneficia golpistas, a PEC da Blindagem, e a redução da Dosimetria das penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Uma trilogia da pilantragem, digamos assim, arquitetada pelos partidos facho-liberais para livrar autoridades e populares condenados sem possibilidade constitucional de receber anistia por terem praticado crimes contra a democracia, tentativas de abolição do Estado democrático de Direito ou de golpe de Estado.

Ainda é incerto o número de manifestantes em todo o país. O Centro de Monitoramento da Universidade de São Paulo, USP, contabilizou 42 mil na cidade do Rio de Janeiro e 47 mil em São Paulo, capital.

Sem dúvida multidões densas, mas o que importa salientar é que o 21 de setembro, véspera da chegada da primavera deste ano de 2025, sacudiu a poeira do estupor e do cansaço a que a cidadania lúcida e combativa foi lançada desde o golpe de 2016, seguido da eleição presidencial de 2022 que veio acompanhada do Covid, praga instrumentalizada pelo mandatário empossado que escarneceu dos contaminados e deixou morrer mais de 400 mil brasileiros e brasileiras. Capítulo pelo qual o agora condenado ex-presidente ainda precisa ser julgado e ter aumentadas as penas que já somam 27 anos e três meses.

Enquanto as forças progressistas caminham para manter o Estado de Direito, os deputados facho-liberais que atuam na Câmara federal lutam para garantir o Estado de Exceção. Para isso, estão usando o expediente da Dosimetria para tentar driblar o interdito da anistia. Dias antes das manifestações, o parlamentar do partido Solidariedade relator do anticonstitucional Projeto de Anistia se reuniu com os dois golpistas que armaram a derrubada de Dilma Roussef rasgando os 51,64% de votos que a reelegeram presidente.

Foi forte a cena dos três reunidos. Capaz de impactar os/as mais experientes e acostumados/as a filmes de terror. Não por medo, mas por conta da intrínseca determinação amoral e inescrupulosa dos personagens. Agora, a palavra-de-ordem dos protagonistas é Pacificação. Até o nome do presidente Lula entrou na jogada instado a trabalhar pela conciliação. Dizem qualquer coisa, vale tudo na retórica dessa categoria de golpistas.

Presentes na manifestação do Rio, Caetano e Gil pediram atenção para o refrão: “É preciso estar atento e forte”. Geraldinho Azevedo convocou os manifestantes: “se você quiser e vier, para o que der e vier comigo”. O Brasil está mesmo a precisar de atenção para garantir sua soberania e é preciso que os progressistas estejam com o presidente Lula para o que der e vier. Assim será possível cantarolar Vai Passar junto com Chico, passando por Ivan Lins a dizer de um novo tempo: “Para que nossa esperança, seja mais que vingança, seja sempre um caminho que se deixa de herança”.

A propósito, Dosimetria para os progressistas é o que falava o personagem de Hugo Carvana, ator e diretor do filme Bar Esperança: desce “meia hora de cerveja”.

Maria Luiza Franco Busse

Maria Luiza Franco Busse é jornalista, professora aposentada, Doutora em Semiologia e pós-doutora em Comunicação e Cultura.

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