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Chinelagem

Bolsonaro
(Foto: Mauro Pimentel/AFP)

As metáforas às vezes são elucidadoras. Um amigo professor entende que o bolsonarismo é um tipo de fascismo brasileiro composto por dois tipos de “alunos”: pela “turma do fundão”, aquela galera que não estuda e não consegue acompanhar os demais por déficit cognitivo, senta no fundo da sala de aula, fica fazendo bagunça e incomodando quem quer aprender, e, também, pela galera que foi expulsa da escola ou que a abandonou porque “estudar não adianta nada”. Por esta razão não existem bolsonaristas cultos ou dignos de admiração por suas capacidades intelectuais, segundo ele.

Essa imagem explica apenas em parte quem é o chamado “gado” que, haja o que houver, segue apoiando o líder da organização criminosa agora definitivamente julgado e engaiolado.

Outras duas características estão presentes na maioria dos bolsonarentos.

A primeira é a compulsão pela mentira, ou, para ser mais polido, a dificuldade em aceitar a verdade objetiva. Aquela gente, negando as evidências fáticas e científicas, escolhe a mentira como maneira de existir em sociedade. Os exemplos são muitos.

A outra é o, digamos, a escolha pelo perene e reincidente conflito com a lei. Aquela gente escolhe transgredir permanentemente a legalidade, em todas as dimensões de suas medíocres existências, como no trânsito (ultrapassa onde não pode, bebe, estaciona onde é proibido, dirige com a carteira vencida ou cancelada por excesso de infrações), na questão tributária e trabalhista (sonega impostos, burla regulamentos e se vangloria de suas espertezas, não registra a empregada doméstica, não paga horas extras aos trabalhadores que lhe são subornados, entre outras delinquências praticadas como empregador ou gestor), ou mesmo no cumprimento das mais prosaicas obrigações decorrentes do convite social.

Essas características, percebe-se, descrevem satisfatoriamente pessoas em eterno conflito com as regras, como é o caso dos Marreco Mendaz de Maringá, o desafinado MMM que tange a parcela do rebanho bolsonarista identificada com o lavajatismo.

Veja-se também o caso do meliante Anderson Torres, policial federal que será expulso com desonra da corporação, ex-minstro da Justiça, que mantinha em sua casa ilegalmente criação de passassarinhos em pequenas gaiolas para venda a outros como ele, por intermédio de laranjas. Dificilmente alguém poderia imaginar chinelagem maior que esta, praticada por alguém que, como delegado federal deveria zelar pela legalidade, e que como ser humano deveria perceber a crueldade no encarceramento das pequenas aves.

Definitivamente engaiolado agora, esse pequeno mentiroso, grande transgressor compulsivo da legalidade, integrante ativo da “turma do fundão do bolsonarismo lavajateiro, será expulso do convívio social por longos anos. Doravante talvez se sinta como os passarinhos que encarcerava, mas, fascista como sempre, dificilmente alcançará toda a dimensão das maldades que eles e seus iguais praticaram contra a população brasileira, contra a natureza, contra o Estado de Direito ou mesmo contra os trinantes passarinhos que, enfim, numa metafórica justiça poética, enfim ganharão a liberdade.

Xixo, 26 de novembro de 2025

Wilson Ramos Filho

Wilson Ramos Filho, o Xixo, é Professor Doutor, autor, jornalista e referência internacional em Direito social, trabalhista e sindical.

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