A Polícia Federal iniciou nesta terça-feira (09) uma nova etapa das investigações sobre fraudes no setor de criptoativos, desta vez voltada a um grupo financeiro suspeito de ter ampliado a rede atribuída a Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”.
A operação, batizada de Kryptolaundry, revelou a existência de uma engrenagem paralela que movimentou mais de R$ 2,7 bilhões, dos quais R$ 404 milhões têm origem ilícita já comprovada pelas autoridades.
O núcleo desarticulado operava a partir de uma rede de empresas de fachada usadas para esconder patrimônio por meio da compra de imóveis, veículos e participação em negócios diversos. A ação mobilizou 24 mandados de busca e apreensão e nove ordens de prisão preventiva. Até o início da tarde, seis suspeitos haviam sido detidos no Distrito Federal e dois na Espanha.
No total, 45 alvos, entre indivíduos e empresas, estão na mira da PF por suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e atuação em grupo criminoso. A Justiça também ordenou o bloqueio de até R$ 685 milhões e a apreensão de imóveis urbanos e rurais associados aos investigados.
- PRF apreende fortuna em joias ligada a líder do TCP na fronteira
- PF mira suposto uso de gravações para influenciar decisões judiciais em Curitiba
- Vídeo revela “oração da extorsão” em quadrilha liderada por sargento e advogada em Goiás
A ofensiva marca a primeira vez em que derivações do esquema original aparecem formalmente conectadas a Brasília, com operadores ligados à antiga GAS Consultoria, empresa que sustentava a pirâmide financeira comandada por Glaidson.
Preso desde 2021, ele se tornou símbolo do maior caso de fraude com criptomoedas do país e foi condenado, em outubro, a 19 anos e 2 meses de prisão por organização criminosa e corrupção ativa. Seu aliado mais próximo, Daniel Aleixo Guimarães, o “Dany Boy”, também recebeu pena superior a 16 anos.
O acervo já confiscado em fases anteriores das investigações revela a dimensão do esquema. A Polícia Federal recolheu aproximadamente R$ 150 milhões em ativos digitais, mais R$ 14 milhões em espécie, além de uma coleção de veículos de alto padrão, relógios e joias cuja soma alcança cifras milionárias. Glaidson segue detido na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR).
Bookmark
