O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (25) que o ex-presidente Jair Bolsonaro está “indignado e inconformado” com a prisão preventiva e relatou que o pai teve uma crise de soluços que exigiu atendimento médico na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde está detido desde sábado (22).
“Ele está indignado e inconformado. [Ele tem dito]: ‘O que eu fiz para estar aqui?’ A visita foi dura. É triste ver uma pessoa inocente passar pelo que ele está passando”, relatou Flávio.
“Ele teve crise de soluço de ontem para hoje. Eu fico preocupado com isso. Ele acaba broncoaspirando e pode acarretar numa infecção no pulmão. Isso pode ser letal”, disse o senador a jornalistas após visita autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Flávio Bolsonaro revelou que o ex-presidente fez um “pedido direto” aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que pautem o projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro – medida que beneficiaria diretamente Bolsonaro, condenado a 27 anos por tentativa de golpe.
Segundo o senador, o ex-presidente orientou que “não é o momento de discutir a sucessão na direita” e que o foco deve ser exclusivamente a pauta da anistia. A declaração ocorre após reunião de emergência do PL na segunda-feira que designou Flávio como porta-voz familiar.
O ex-presidente está detido em uma sala especial de aproximadamente 12 m² com cama de solteiro, ar-condicionado, frigobar, banheiro privativo e televisão – estrutura similar à que abrigou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na PF de Curitiba.
Sobre a violação da tornozeleira eletrônica que motivou a prisão preventiva, Flávio manteve a tese de “confusão mental”: “Ainda que ele desse marretada na tornozeleira era impossível fugir. Moraes queria fazer e fez. Foi uma confusão mental da parte dele”.
A prisão preventiva foi mantida por unanimidade pela Primeira Turma do STF na segunda-feira, rejeitando os argumentos da defesa sobre estado mental alterado por medicamentos. Os ministros entenderam que Bolsonaro “violou dolosa e conscientemente” o equipamento de monitoramento.
A dissimulação de Bolsonaro e sua família parece não conhecer limite. Mas a narrativa sempre funciona entre seu eleitorado e para isso serve esse tipo de deboche.
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