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Negacionistas deixam de vacinar até seus pets

Pessoas que não se vacinam contra a Covid-19 têm sete vezes mais chance de também não vacinar seus cães
Cerca de 85% da população brasileira não realiza a vacinação de pets. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O movimento antivacina que se espalhou pelo mundo durante e depois da pandemia da Covid não se limita a fazer vítimas entre os humanos. Em vários países, os negacionistas estão deixando de vacinar até seus pets. O resultado tem sido a disseminação de doenças entre cães e gatos que colocam em perigo tanto animais de estimação quanto pessoas.

Uma pesquisa divulgada em 2024 pela Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sidan), revela que cerca de 85% da população brasileira não realiza a vacinação de pets. O número indica uma baixa cobertura vacinal contra zoonoses e doenças infecciosas que atingem animais domésticos, especificamente cães e gatos.

Estudos mostram que a baixa cobertura vacinal de animais domésticos está diretamente ligada ao negacionismo difundido pela extrema direita durante a pandemia. Uma pesquisa de 2023 do Laboratório de Bacterioses e Pesquisa da Escola de Veterinária da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que aplicou um questionário on-line a mais de 1 mil tutores, revelou que os que não se vacinam contra a Covid-19 têm sete vezes mais chance de também não vacinar seus cães.

“As pessoas que estão com o esquema vacinal contra a Covid-19 incompleto não acreditam que vacinas têm a capacidade de proteger, então elas estendem essa crença à vacinação de seus animais”, explica o professor Rodrigo Otávio Silva, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da UFMG, que comandou o estudo.

WhatsApp

Ainda de acordo com o levantamento, entre as razões que o questionário mapeou para a não vacinação dos cães está o local onde os tutores costumam se informar sobre a saúde de seus pets. Quem vacina os cães costuma se informar com o médico veterinário. Quem não vacina obtém informação na internet e em grupos de WhatsApp.

Segundo o professor de Bioética da New York University, Arthur L. Caplan, a hesitação vacinal nos animais não é apenas uma preocupação veterinária, mas sim uma questão de saúde pública, visto que doenças como a raiva são zoonoses (transmissíveis aos humanos). De acordo com ele, no mundo todo, cerca de 70 mil pessoas morrem de raiva anualmente.

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Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

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