O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou durante o julgamento do núcleo 2 da trama golpista que “não há nenhuma dúvida quanto ao direcionamento político” da ex-subsecretária de Segurança Pública do Distrito Federal e ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, Marília Alencar. Ela é uma das seis réus do processo que tentou invalidar o resultado das eleições de 2022.
Em seu voto, nesta terça-feira (16), Moraes disse que Marília e o então ministro da Justiça Anderson Torres “visavam tumultuar o 2º turno da eleição impedindo assim que determinados eleitores, que no 1º turno haviam votado no candidato Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente na região nordeste do país, chegassem às urnas”.
As informações constam na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que aponta Marília Alencar como uma das articuladoras das blitzes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizadas no dia do segundo turno em estradas do Nordeste – região com maior percentual de votos em Lula.
Antes de assumir a SSP-DF, Marília ocupava o cargo de diretora de Inteligência do Ministério da Justiça sob o comando de Anderson Torres. O STF já havia determinado a suspensão das operações após constatar o caráter eleitoral das ações.
Julgamento em andamento
O núcleo 2 é formado por Filipe Martins, Marcelo Câmara, Silvinei Vasques, Mário Fernandes, Marília Alencar e Fernando de Sousa Oliveira. Todos são acusados de crimes como organização criminosa, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Com o voto de Moraes – que pediu a condenação de todos –, o julgamento segue com os votos dos demais ministros da Primeira Turma. A expectativa é de que a sessão seja concluída ainda nesta semana, fechando mais uma etapa dos processos sobre os atos golpistas de 2022.
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