Skip to content Skip to footer

Milionários italianos sob investigação por “safári humano” em Guerra da Bósnia

Sáfari humano
Durante o Cerco de Sarajevo, em 1993, um civil corre pela "Sniper Alley", a rua mortal exposta a atiradores, inclusive milionários em "safári de guerra". (Foto de Christian Maréchal/CC BY 3.0)

O Ministério Público de Milão investiga se milionários italianos pagaram para participar de “safáris humanos” durante o cerco de Sarajevo (1992–1996), viajando em fins de semana a posições sérvio-bósnias nas colinas para atirar em civis por diversão.

A apuração nasce de denúncia formal do escritor Ezio Gavazzeni e reabre indícios trazidos pelo documentário Sarajevo Safari (2022), com tipificação por homicídio voluntário agravado por crueldade e motivos abjetos. Suspeitos já identificados devem ser ouvidos nas próximas etapas, com cooperação bósnia em discussão.

No material em análise, surgem os “cecchini de fim de semana” — expressão usada na imprensa italiana para designar civis endinheirados que, sem vínculo militar direto, se deslocariam nos fins de semana ao norte da Itália, passariam por Trieste e Belgrado e, guiados por unidades sérvio-bósnias, atirariam em moradores antes de voltar à rotina na segunda-feira.

“Cecchini” é o plural de cecchino (sniper, em italiano) e o rótulo destaca justamente a periodicidade turística dessa violência. Relatos citam pagamentos elevados — com tarifas ainda mais altas para atingir crianças —, um detalhe que agora entra no circuito oficial da justiça italiana.

Parte dessas ações teria mirado a área que ficou conhecida como Sniper Alley — o conjunto de avenidas largas (Ulica Zmaja od Bosne e o Boulevard Meša Selimović) que liga o aeroporto e a zona industrial ao centro histórico.

Os prédios altos e as encostas ao redor ofereciam campo aberto aos atiradores; moradores cruzavam correndo trechos descobertos ou se abrigavam atrás de blindados da ONU, sob avisos improvisados.

Se a autoria material em episódios concretos for demonstrada, a justiça italiana pode levar o processo adiante mesmo décadas depois, em razão do enquadramento por homicídio qualificado. O caso, que reacende feridas do cerco e a discussão sobre “turismo de guerra”, entra agora numa fase decisiva de identificação nominal e teste de evidências.

Bookmark

Luiz Estrela

Jornalista e criador de conteúdo no BFC, projeto em que se dedica à cobertura política nacional e internacional, além de cultura e direitos sociais, sempre com olhar crítico e linguagem acessível.

Mais Matérias

09 mar 2026

Para professor Josemar, discurso de “meritocracia” é farsa para mascarar racismo

“Só vamos abrir mão de cotas quando brancos ricos abrirem mão do direito à herança”, diz deputado do PSOL-RJ, que desde criança já se interessava por política
09 mar 2026

Aliado de Flávio Bolsonaro é alvo de ação da PF contra Comando Vermelho

Mensagens interceptadas pela PF mostram que TH Joias atuou como intermediário entre Carracena e membros do CV
09 mar 2026

Suspeito estupra a ex e mata filho da vítima enquanto ela o denunciava para a polícia

Suspeito deverá responder por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e estupro
09 mar 2026

Cozinheira processa Neymar e relata jornadas de até 16 horas em mansão no Rio

Trabalhadora afirma que a rotina diária frequentemente ultrapassava o horário combinado
09 mar 2026

Vorcaro tentou repassar imóvel suspeito no dia da própria prisão

Imóvel pode ter sido usado como pagamento de propina

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário