Skip to content Skip to footer

Lula veta mudanças retroativas na Lei da Ficha Limpa que beneficiaria Bolsonaro

Com o veto, políticos já condenados pela Lei da Ficha Limpa não serão beneficiados pela redução no prazo de inelegibilidade
Lula: políticos já condenados não serão beneficiados. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou parcialmente o projeto aprovado pela Câmara e Senado que reduz o prazo de inelegibilidade previsto na Lei da Ficha Limpa. Pelo texto, os políticos condenados à inelegibilidade ficam proibidos de disputar eleições por, no máximo, 8 anos a contar da condenação. A nova Lei ainda limita a 12 anos o prazo máximo que políticos poderão ficar sem disputar eleição nos casos de condenações em múltiplos processos.

Lula vetou trecho da proposta aprovada pelo Congresso que previa que a nova regra fosse aplicada retroativamente. Com o veto, políticos já condenados pela Lei da Ficha Limpa não serão beneficiados pela redução no prazo de inelegibilidade vigente atualmente. O presidente justificou que essa mudança afrontaria o princípio da segurança jurídica ao relativizar a coisa julgada.

Um dos que poderiam se beneficiar com essa alteração da lei aprovada pelos parlamentares é o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP), que atualmente já está inelegível até 2030, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo o Executivo, a mudança permitiria que decisões judiciais transitadas em julgado fossem “esvaziadas” pela nova legislação. O governo ainda citou decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema 1199 de Repercussão Geral, com efeitos sobre todo o poder Judiciário. “Entre os princípios da retroatividade benéfica e da moralidade administrativa, a Corte conferiu primazia a este último, reafirmando a regra da irretroatividade”, afirmou a presidência. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Advocacia-Geral da União (AGU) recomendaram os vetos realizados pelo presidente Lula.

Governo apontou risco para a segurança jurídica

Além disso, para o governo, as mudanças vetadas afrontariam o princípio da segurança jurídica. “O respeito à coisa julgada é indispensável à segurança jurídica e à estabilidade institucional, e não deve ser relativizado por norma infraconstitucional, sob pena de se incorrer em inconstitucionalidade”, explicou o presidente no veto.

Bookmark

Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

Mais Matérias

03 mar 2026

Médico é condenado por cobrar para furar fila do SUS no Paraná

O caso ganhou força em 2015, quando o profissional foi preso em flagrante ao receber R$ 4,6 mil de uma paciente
03 mar 2026

Um dos acusados em caso de estupro coletivo contra adolescente se entrega à polícia no Rio

Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, compareceu à 12ª Delegacia de Polícia, em Copacabana, acompanhado de advogado
03 mar 2026

Jatinho de Vorcaro levou Nikolas em ofensiva pró-Bolsonaro nas eleições de 2022

As viagens ocorreram em um intervalo de dez dias, entre 20 e 28 de outubro, no contexto da caravana “Juventude pelo Brasil”
03 mar 2026

Ratinho foge da Justiça por conta de processo envolvendo Chico Buarque

Ação foi ajuizada por Chico Buarque depois que Ratinho afirmou que o engajamento político do artista estaria relacionado a benefícios obtidos pela Lei Rouanet
03 mar 2026

SP registra maior número de mortes em ações policiais em seis anos

Dados apontam 877 registros no período, patamar superior ao observado no início da pandemia

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário