Durante visita oficial a Maputo nesta segunda-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que, nos últimos anos, o Brasil “se perdeu por caminhos sombrios” e acabou se afastando de seus históricos vínculos com a África.
Ao lado do presidente moçambicano, Daniel Chapo, Lula ressaltou que a prioridade agora é olhar para frente: “Nós não temos tempo de ficar reclamando do que não aconteceu até agora”.
Lula participou da cerimônia de assinatura de novos acordos entre Brasil e Moçambique, após reunião bilateral que abordou temas como assistência humanitária, saúde, educação, agricultura, segurança alimentar, biocombustíveis, defesa, comércio e investimentos.
O presidente destacou que Moçambique ainda enfrenta importantes déficits de infraestrutura e afirmou que empresas brasileiras têm capacidade de contribuir para o desenvolvimento local. Para isso, disse estar trabalhando pela retomada da atuação internacional do BNDES.
“Nenhum grande país consegue exportar serviços sem oferecer crédito. Estamos trabalhando para que o BNDES recupere a capacidade de financiar a internacionalização das empresas brasileiras. O fluxo de comércio entre Brasil e Moçambique é muito menor do que com outros países lusófonos. Isso é injustificável entre mercados tão próximos”, declarou.
A fala de Lula ocorre em meio à retomada da diplomacia brasileira com o continente africano. Durante o governo Jair Bolsonaro, sete representações diplomáticas abertas entre 2008 e 2010 foram fechadas, incluindo as embaixadas de Serra Leoa e Libéria. Bolsonaro também foi o primeiro presidente brasileiro no século XXI a não realizar visitas oficiais a países africanos durante todo o mandato.
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