Skip to content Skip to footer

Isenções de impostos para ricos vão custar quatro “Bolsas Famílias” em 2026

Privilégio tributário das elites vai tirar R$ 618 bilhões do governo federal este ano
Bolsa Família: gasto tributário seria suficiente para aumentar benefício para R$ 3,4 mil mensais. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O governo federal deve deixar de receber, em 2026, mais de R$ 618 bilhões em razão de benefícios fiscais que contemplam elites ou setores específicos da economia brasileira sem retorno social mensurável. O valor equivale a quase quatro vezes o orçamento do Bolsa Família para este ano.

Os dados são de estudo da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco). Segundo o levantamento, o valor total de benefícios projetado para 2026 é de R$ 903 bilhões, um aumento de 11,32% em relação a 2025.

Desse montante, a entidade considera que 68,46% (ou R$ 618,430 milhões) envolvem privilégios tributários injustificáves ou ineficazes que atendem aos mais ricos e às grandes empresas.

Lucros e dividendos

De acordo com o “Privilegiômetro Tributário” criado pela Unafisco, o setor mais beneficiado é o de acionistas de grandes empresas que são contemplados com a isenção de lucros e dividendos distribuídos por elas. Somente esse item representará R$ 146 bilhões, ou 8,74% do total dos gastos tributários do governo para este ano.

Grandes fortunas

A não regulamentação pelo Congresso do Imposto sobre Grandes Fortunas vem em seguida, representando uma perda de R$ 100,5 bilhões para os cofres públicos em 2026. A taxação recairia para fortunas acima de R$ 50 milhões, e permitiria a redução de impostos para os mais pobres e a classe média.

Dez mil hospitais ou 100 mil escolas

Como exemplo comparativo, para este ano o Orçamento da União prevê um gasto de R$ 159 bilhões com o programa “Bolsa Família”. Com os mais de R$ 600 bilhões de benefícios fiscais dos mais ricos, seria possível aumentar de R$ 700 mensais para mais de R$ 3.400 — o suficiente para erradicar a pobreza em escala nacional.

Os privilégios tributários do “andar de cima” também representam o dobro do Orçamento federal para a saúde e a educação. Com esse dinheiro, seria possível 2 mil hospitais ou 100 mil novas escolas.

Moradia

O gasto tributário do Brasil com os privilegiados daria para construir mais de 4 milhões de casas, beneficiando 16 milhões de pessoa e resolvendo grande parte do déficit habitacional do País, estimado em 6 milhões de unidades.

Desigualdade

Ou seja, esse dinheiro seria suficiente para reduzir drasticamente a desigualdade social no Brasil. Mas para a Faria Lima e seus aliados, como o candidato preferido deles, Tarcísio de Freitas (Repub), o problema do País é o aumento real do salário mínimo e das aposentadorias dos mais pobres.

Bookmark

Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

Mais Matérias

07 jan 2026

Crise climática é oportunidade para discutir novo modelo de sociedade, diz ex-presidente do PSOL

Juliano Medeiros defende que esquerda aproveite transição energética para discutir alternativas ao capitalismo e ao neoliberalismo
14 jan 2026

Maior doador das campanhas de Tarcísio e Bolsonaro, empresário é preso sob suspeita de fraude no Banco Master

Fabiano Zettel foi detido quando embarcava para Dubai, teve passaporte e celular apreendidos e foi liberado em seguida

Advogado “cristão” diz que “morador de rua tem o dever de passar fome”

Advogado é pré-candidato ao Senado por Minas Gerais
14 jan 2026

Porta na cara: nos EUA, Marco Rubio esnoba Flávio Bolsonaro

Pré-candidato da extrema-direita à Presidência viajou para os Estados Unidos na esperança de encontrar integrantes do alto escalão do governo Trump
12 jan 2026

“Casa de Vidro” do BBB virou palco de protestos contra escala 6 X 1

Manifestantes aproveitaram a visibilidade dada pelo programa de TV para reforçar a defesa de uma jornada semanal de trabalho mais humanizada
12 jan 2026

Dor de cotovelo: ator de Malhação não se conforma com premiação de Wagner Moura

Além de Moura, a obra dirigida pelo também brasileiro Kleber Mendonça ganhou o Globo de Ouro de melhor filme de língua não inglesa

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário