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Exposição “De Urihi a Òrun” critica o apagamento dos povos originários e pretos

Obras de Neto Vettorello já foram apresentadas em mais de 30 países, com participações em festivais, projetos com marcas e parcerias com instituições culturais. (Foto: Divulgação)

Considerado um dos grandes nomes da arte contemporânea no Brasil, o artista Neto Vettorello está em cartaz na cidade de Curitiba (PR) com sua mais nova exposição: “De Urihi a Òrun”. Mais do que uma mostra de arte, que conta com 10 trabalhos exclusivos, as obras de Vettorello se apresentam como gestos poéticos e políticos que evocam o sagrado, resgatando memórias silenciadas e convidando o público a escutar narrativas invisibilizadas pelas histórias oficiais.

A proposta estabelece uma travessia sensível entre dois universos espirituais: ‘Urihi’, a floresta viva na cosmologia Yanomami, e ‘Òrun’, o plano ancestral da tradição Iorubá. A partir dessas cosmovisões, Vettorello constrói um conjunto de obras que circula entre o visível e o invisível, o material e o espiritual, a cidade e a mata, o presente e o tempo mítico

destaca o curador Felipe Oliver.

Com mais de duas décadas de trajetória, Neto Vettorello iniciou sua atuação artística no final dos anos 1990, por meio do graffiti e da cultura urbana, transformando muros em espaços de expressão coletiva. Hoje, seu trabalho combina graffiti, pintura, design gráfico, vídeo e escultura, criando experiências visuais imersivas tanto em espaços públicos quanto institucionais. Suas obras já foram apresentadas em mais de 30 países, com participações em festivais, projetos com marcas e parcerias com instituições culturais.

Um dos elementos centrais de sua produção é “Tani É”, personagem simbólico que transita entre o humano, o ancestral e o espiritual, e que conduz as investigações do artista sobre identidade, pertencimento e memória. Em “De Urihi a Òrun”, essa figura também acompanha o público na jornada proposta, como guia entre mundos.

Além de experiência estética, a exposição carrega uma dimensão de denúncia. Critica o apagamento dos povos originários e pretos, a destruição de seus territórios, apontando para as queimadas que ameaçam não apenas a floresta, mas também histórias, mitos, rituais e futuros

destaca o artista.

Nesse contexto, Vettorello propõe o “reencantamento como resistência”: uma escuta espiritual ativa frente ao colapso e uma afirmação radical da vida diante do esquecimento. Ao unir cosmologias indígenas e afro-brasileiras, “De Urihi a Òrun” convida o público a repensar sua relação com o território, com a natureza e com o outro.

Mais do que uma exposição, é um gesto ancestral de reconexão — um espaço onde arte, espírito e território se tornam inseparáveis

completa Vettorello.

Sobre a Barleria

Ponto de encontro que une arte, música, bons drinks e até um brechó, a Barleria se transformou em um dos principais fenômenos do entretenimento curitibano, “exalando” contemporaneidade e alavancando a cultura local.  Fundado em 2023, o bar possuí uma galeria de arte, com exposições mensais, e recebe com frequência grandes nomes da música local e nacional. Tudo isso unido a um brechó exclusivíssimo, o endereço conseguiu criar uma atmosfera única onde moda, arte e música conversam em perfeita harmonia.

A exposição “De Urihi a Òrun” de Neto Vettorello ficará em cartaz na Barleria (Al. Julia da Costa, 252), no bairro São Francisco, até o 31 de agosto. A visitação é gratuita. Para mais informações, acesse os perfis oficiais no Instagram:  @netovettorello e @barleria_.

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Redação BFC

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