Os Correios atravessam um dos momentos mais críticos de sua trajetória. Em meio a uma dívida crescente e à dificuldade de manter a operação em pé, a estatal prepara um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) que mira, no mínimo, o desligamento de 10 mil trabalhadores. A medida é peça-chave do plano de reestruturação e aparece como condição para destravar o empréstimo de até R$ 20 bilhões que a empresa tenta negociar com bancos.
A situação é considerada urgente. Desde 2022, os resultados negativos se acumulam e a projeção interna é de que o ano de 2025 termine com um rombo de R$ 10 bilhões. Sem uma injeção imediata de recursos, técnicos alertam que a conta pode se transformar em uma bomba-relógio: o déficit poderia dobrar já em 2026 e alcançar valores insustentáveis em poucos anos, pressionado por multas e obrigações não pagas.
O novo PDV será lançado em duas etapas. Primeiro, serão aplicados os critérios tradicionais, como idade e tempo de empresa. Depois, a direção pretende trabalhar com metas específicas por setor, com base em um estudo que identificou áreas ociosas, sobreposição de funções e agências próximas demais entre si.
A empresa quer reduzir a folha em cerca de R$ 2 bilhões anuais, mas sabe que precisará oferecer incentivos mais atraentes do que no programa anterior, que teve adesão bem abaixo do esperado.
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O desafio é equilibrar o interesse dos empregados com as limitações financeiras de uma companhia que mal paga suas contas. Muitos trabalhadores temem ficar reféns de um fundo de pensão fragilizado, o Postalis, ou perder o plano de saúde, que já enfrenta dificuldades por falta de repasses da própria estatal.
Enquanto aperta o cinto, a empresa corre contra o tempo para assegurar ao menos R$ 10 bilhões nas próximas semanas. A primeira rodada de negociações com bancos não avançou por causa da taxa de juros considerada alta demais, 136% do CDI, para uma operação garantida pela União. O Tesouro trabalha com teto de 120% do CDI, e a insistência nesse limite levou os Correios a reabrirem as tratativas e sondar um número maior de instituições.
O empréstimo é visto como vital para regularizar pagamentos atrasados, melhorar o desempenho das entregas e evitar a fuga de clientes. Hoje, 92% das remessas chegam no prazo, mas a estatal calcula que precisa ultrapassar os 95% para recuperar competitividade.
À medida que os números pioram, a empresa se vê presa em um ciclo que combina queda de receitas, mais custos e perda de eficiência, um caminho que, sem reação rápida, pode se tornar irreversível.
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