Condenada, no ano passado, por um tribunal na Holanda a indenizar vítimas do afundamento do solo em Maceió, a Braskem fechou nesta segunda (10) um novo acordo com o governo de Alagoas.
A empresa promete pagar R$1,2 bilhão em 10 anos por danos causados pela extração de sal-gema — atividade que afundou cinco bairros e tirou dezenas de milhares de pessoas de casa.
A Braskem diz já ter desembolsado R$139 milhões, parte do acordo que ainda precisa ser homologado por um juiz.
Os estudos que sustentam a responsabilização foram produzidos pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) — empresa pública federal ligada ao Ministério de Minas e Energia. Em 2019, o SGB apontou a ligação entre a mineração e o afundamento do solo; em 2023, atualizou o quadro de risco; e, em 2025, veio a público uma nota técnica detalhando a relação entre a extração de sal-gema e os danos e trazendo recomendações de monitoramento.
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Embora o órgão técnico do governo federal tenha concluído que a atividade da Braskem foi a causa do problema, o Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) e outras entidades afirmam que o mapa oficial de áreas afetadas é curto demais. Lugares como Flexais, Quebradas e Marquês de Abrantes, onde ainda há rachaduras, afundamento e queda no valor dos imóveis, ficaram de fora.
O próprio SGB reconhece que uma das técnicas usadas — leitura por satélites que medem micromovimentos do chão — pode não captar mudanças muito pequenas. E lembra que seu trabalho não mede impactos sociais e econômicos (como adoecimento, perda de renda ou desvalorização fora do perímetro), o que reforça a queixa de quem ficou fora das reparações.
O Ministério Público Federal, o Ministério Público de Alagoas e a Defensoria Pública da União pediram nova análise do mapa de risco.
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