O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, neste domingo (23), que pretende assinar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia no dia 20 de dezembro, encerrando uma negociação que atravessou mais de duas décadas. A declaração foi dada durante entrevista em Joanesburgo, na África do Sul, após a Cúpula do G20.
Segundo Lula, a assinatura deve ocorrer mesmo que a Cúpula do Mercosul, inicialmente prevista para a mesma data, em Foz do Iguaçu, seja adiada para janeiro por conta da agenda do presidente do Paraguai. A solução em avaliação é realizar, no dia 20, uma cerimônia exclusiva em Brasília para formalizar o pacto.
O acordo cria uma ampla área de livre comércio entre os dois blocos, envolvendo cerca de 722 milhões de pessoas e um PIB conjunto estimado em US$ 22 trilhões. Na prática, prevê a redução gradual de tarifas de importação e maior abertura de mercados.
Para o Mercosul, o principal ganho está no acesso facilitado ao mercado europeu, sobretudo para produtos do agronegócio. Já os países da UE esperam ampliar a exportação de máquinas, veículos, insumos industriais e produtos químicos para a região sul-americana.
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Apesar do avanço, o tema ainda desperta resistências dentro da Europa. A França segue como o principal foco de oposição, pressionada por agricultores que temem concorrência de commodities sul-americanas. O governo francês também questiona aspectos ambientais relacionados à produção agrícola. Lula, porém, minimizou as divergências e reiterou que o pacto é com o bloco europeu como um todo, não com países individualmente.
O texto já foi validado pela Comissão Europeia e depende agora do crivo do Parlamento Europeu e da maioria qualificada dos 27 Estados-membros. Medidas de salvaguarda foram incluídas para monitorar variações de preços e volumes de importação, numa tentativa de acomodar pressões internas.
Lula afirmou que, apesar dos desafios, o Brasil está pronto para concluir o processo:
BookmarkO acordo será assinado.
