Com Bolsonaro na capa vestido de “viking” da invasão do Capitólio de 2021, nos Estados Unidos, a revista britânica “The Economist” – considerada a “bíblia” do liberalismo econômico mundial – traz em sua edição desta semana uma reportagem na qual destaca a resistência do Brasil à tentativa de golpe liderada pelo ex-presidente.
A publicação aponta que, ao contrário dos EUA, em que Donald Trump saiu ileso depois de tentar impedir a posse do adversário vitorioso na eleição de 2020, Bolsonaro será condenado e pagará por seus crimes contra a democracia brasileira.
Brasíl dá lição
Sob o título de “O Brasil oferece aos Estados Unidos uma lição de maturidade democrática”, a revista afirma que o país está mostrando firme capacidade de defender o respeito à lei, no em meio a uma “América que está se tornando mais corrupta, protecionista e autoritária”.
No texto, a “Economist” diz estar convicta de que “Bolsonaro e seus associados provavelmente serão considerados culpados”, e considera que “isso torna o Brasil um caso de teste para a recuperação de países de uma febre populista”.
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Trocando de lugar
Para a revista, é como se Estados Unidos e Brasil estivessem “trocando de lugar”. “Os EUA estão se tornando mais corruptos, protecionistas e autoritários — com Donald Trump esta semana mexendo com o Federal Reserve e ameaçando cidades controladas pelos democratas”, lembra.
“Em contraste, mesmo com o governo Trump punindo o Brasil por processar Bolsonaro, o próprio país está determinado a salvaguardar e fortalecer sua democracia”, elogia a publicação.
Memória da ditadura
Na avaliação da “Economist”, essa resistência é fruto da “memória fresca” que o Brasil tem da ditadura militar e que o país “restaurou a democracia em 1988” com uma Constituição que faz do Supremo Tribunal Federal “um baluarte contra o autoritarismo”.
“Além disso, a maioria dos brasileiros está de olhos abertos sobre o que Bolsonaro fez. A maioria acredita que ele tentou dar um golpe para se manter no poder”, explica a reportagem.
Ataques de Trump “vão sair pela culatra”
Para a revista, os ataques de Trump ao Brasil articulados pela família Bolsonaro vão “sair pela culatra”. “Apenas 13% das exportações brasileiras vão para os Estados Unidos, e consistem principalmente de commodities, para as quais novos mercados podem ser encontrados”, esclarece.
De acordo com a “Economist”, a chantagem do presidente estadunidente apenas fortaleceu a posição de Lula nas pesquisas de opinião.
A revista conclui afirmando que a maturidade política do Brasil mostra que atualmente “o papel do adulto democrático do hemisfério ocidental se deslocou para o sul”.
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