O Ministério Público da Itália abriu um inquérito para apurar denúncias de que cidadãos italianos e de outras nacionalidades teriam pago para viajarem nos finais de semana para Sarajevo, nos anos 90, para atirarem e matarem civis durante a guerra da Bósnia.
As suspeitas foram levantadas pelo jornalista Ezio Gavazzeni, com apoio de ex-prefeita de Sarajevo, Benjamina Karić e do juiz Guido Salvini, e baseia-se em depoimentos de ex-agentes bósnios e no documentário “Sarajevo Safari” (2022).
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Tabela de preços
De acordo com as investigações preliminares, italianos pagavam até 100 mil euros (o equivalente a R$ 650 mil no câmbio atual) para atirarem em pessoas em colinas sérvias. Ainda de acordo com a denúncia, havia uma “tabela de preços”, sendo que crianças eram mais caras, e idosos e mulheres mais baratas ou de graça.
A investigação a cargo do promotor Alessandro Gobbis tem ouvido testemunhas e analisado arquivos do serviço secreto italiano, e já teria identificado pelo menos cinco italianos envolvidos no que está sendo chamado de “turismo de snipers” ou “safári humano”.
Cerca se 11 mil civis morreram no cerco a Sarajevo. Outros 60 mil ficaram feridos. Turistas ricos ligados à extrema-direita pagavam para se juntar aos franco-atiradores que agiram na guerra transformando o conflito em um “jogo de caça humana”, segundo a apuração.
Um relatório compilado após o documentário “Sarajevo Safari” reuniu depoimentos sobre “atiradores turistas” de vários países. Além da Itália, o esquema envolveria também pessoas dos EUA, Rússia, Alemanha, França e Inglaterra.
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