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22ª Jornada de Agroecologia começa com marcha e reflexões sobre o Brasil que planta e alimenta

Marcha denunciou os impactos do agronegócio e defendeu alternativas sustentáveis para o campo e a cidade. (Foto: Guilherme Araki)

A 22ª Jornada de Agroecologia começou nesta quarta-feira (6) com uma marcha pelo centro de Curitiba. Com o lema “Terra, Teto e Agroecologia”, a mobilização reuniu centenas de pessoas na Praça Santos Andrade logo pela manhã, com um café agroecológico compartilhado, seguido de caminhada até a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), onde foi realizada uma sessão solene em homenagem ao evento.

Participaram da marcha caravanas de diversas regiões do estado, com camponeses, militantes de movimentos populares, trabalhadores da economia solidária, artistas, estudantes e apoiadores da agroecologia. A caminhada, marcada por bandeiras, cantos, coreografias e manifestações culturais, denunciou os impactos do agronegócio e defendeu alternativas sustentáveis para o campo e a cidade.

Entre as principais pautas da mobilização estão o incentivo à agroecologia, o direito à moradia e ao trabalho digno, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, a taxação dos super-ricos e a rejeição ao PL 2.159/2021, apelidado por movimentos sociais como “PL da Devastação”, por flexibilizar regras do licenciamento ambiental.

Para Bruna Zimpel, da direção nacional do MST, acampada na comunidade Terra Livre, em Clevelândia (PR), a Jornada tem um papel profundo e estratégico na construção de um novo modelo de sociedade.

Há mais de 20 anos nós temos feito esse processo de construção coletiva do debate da agroecologia na sociedade e também de debater diversos temas que vão para além da agroecologia, mas esse projeto popular de sociedade que a gente precisa avançar

destaca.
(Foto: Maria Coelho)

Nosso objetivo é criar esse espaço de debate e sempre conseguir atingir mais pessoas que consigam parar para refletir e também pensar como que podem contribuir nesse processo coletivo que está sendo construído há tantos anos

acrescenta.

Ela destaca que o encontro serve como espaço de trocas entre os camponeses, agricultores e a sociedade urbana, promovendo a partilha de saberes, sementes e alimentos.

Nós temos como objetivo construir um momento onde tanto nossos camponeses, agricultores que já constroem a agroecologia no dia a dia, possam se encontrar, partilhar conhecimento, partilhar sementes, também ter essa possibilidade de comercializar o que produzem. Mas muito no sentido da partilha e também esse aspecto da relação com a sociedade

acrescenta.

Sirlene Moraes, produtora agroecológica e moradora do Assentamento Guanabara, em Imbaú (PR), também aponta o desafio da falta de informação como um obstáculo para que a sociedade compreenda a luta dos camponeses.

O que falta às vezes é a própria informação correta de quem somos, né? Conhecer de fato a realidade, conhecer o povo do campo, o povo que fica lá no campo trabalhando a terra

acrescenta.

Ela ressalta a importância de ocupar espaços urbanos para mostrar a identidade e o trabalho do movimento.

Aí se faz necessário da gente vir apresentar aí nas grandes capitais quem é o povo brasileiro, quem é o povo trabalhador, o povo camponês, o povo sem-terra. A Jornada de Agroecologia é um espaço em que o movimento trabalha esse fator principal que é a produção. Além da nossa formação, da nossa capacitação, é a exposição dos nossos produtos, que são feitos, e os debates em torno de tudo isso, desde o alimento saudável, desde a produção com qualidade, livre de agrotóxico

disse.

Programação segue até domingo com debates, feira e shows

(Foto: Maria Coelho)

Após a sessão solene na Alep, com a presença de parlamentares da Frente Parlamentar da Agroecologia e da Economia Solidária, a programação seguiu no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Jardim das Américas, onde o evento acontece até domingo (10), com entrada gratuita.

A Jornada conta com mais de 50 atividades formativas entre seminários, oficinas e conferências, e cerca de 20 atrações culturais com nomes como Yago Oproprio, Dow Raiz, Janine Mathias, entre outros. Também integram o evento a tradicional Feira da Agrobiodiversidade, com mais de 100 expositores, e o espaço Culinária da Terra, com dezenas de opções de refeições a preços populares, incluindo pratos veganos e vegetarianos.

A programação completa pode ser conferida no site: jornadadeagroecologia.org.br.

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Maria Coelho

Jornalista com experiência em veículos como a Agência Estadual de Notícias do Paraná. Integra atualmente a equipe do Brasil Fora da Caverna.

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