Entidades que representam praticamente todo o sistema financeiro brasileiro voltaram a se posicionar publicamente nesta segunda-feira em defesa da autonomia e da autoridade técnica do Banco Central. Em uma carta conjunta, associações que reúnem 757 instituições financeiras, entre bancos tradicionais, digitais, fintechs, cooperativas de crédito, empresas de meios de pagamento e do mercado de capitais, afirmam confiar plenamente nas decisões adotadas pela autarquia, tanto no campo regulatório quanto no de fiscalização.
A mobilização ocorre em meio à decisão do Tribunal de Contas da União de abrir uma inspeção sobre documentos relacionados ao Banco Master que estão sob a guarda do BC. O movimento, visto como atípico por parte do mercado, reacendeu o debate sobre possíveis interferências externas em decisões consideradas técnicas.
O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master em novembro do ano passado, citando fragilidade financeira, problemas recorrentes de liquidez, captação a custos elevados, ativos de difícil realização e indícios de irregularidades contábeis e operacionais.
Relatórios enviados a órgãos de controle, como o Ministério Público Federal, apontam suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, incluindo um suposto esquema de venda de carteiras de crédito inexistentes ao Banco Regional de Brasília, com valores que poderiam alcançar R$ 12 bilhões. A tentativa do BRB de adquirir o Master chegou a ser analisada, mas acabou barrada pelo Banco Central.
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Apesar da repercussão, ministros do TCU avaliam como remota qualquer possibilidade de reversão da liquidação. Segundo integrantes da corte, apenas erros extremos poderiam justificar a anulação de um ato dessa natureza, o que não aparece, até agora, nas informações disponíveis. A inspeção, segundo eles, busca esclarecer eventuais atrasos ou falhas procedimentais, sem indícios de ilegalidade estrutural.
O apoio ao BC tem sido reiterado por entidades como Federação Brasileira de Bancos, que veem risco de politização do caso. Também há preocupação com pressões externas envolvendo o Supremo Tribunal Federal, especialmente após decisões do ministro Dias Toffoli, e com o papel de figuras políticas ligadas ao comando do TCU, como Vital do Rêgo e o relator do processo, Jhonatan de Jesus.
Para o mercado, preservar a independência do Banco Central é essencial para a credibilidade e a estabilidade do sistema financeiro.
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