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Motta decide “pagar o preço” para tirar Flávio da disputa presidencial livrando Bolsonaro e abrindo caminho para Tarcísio

Freitas não só é o preferido do Centrão e do mercado financeiro da “Faria Lima”, como é colega de partido do presidente da Câmara
Motta (à direita), com o relator do PL da Dosimetria, Paulinho da Força (Solidariedade-SP): tudo combinado com Bolsonaro. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Muita gente se surpreendeu com o anúncio repentino do presidente da Câmara, Hugo Motta (Repub-PB), de colocar em votação, nesta terça-feira (09), o chamado “PL da Dosimetria”, que reduz as penas de Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pela tentativa de golpe de estado. Mas quem acompanha os bastidores da política em Brasília sabe que o gesto não tem nada de aleatório, pelo contrário, obedece a um claro projeto político eleitoral do Centrão, do qual Motta faz parte.

O anúncio ocorreu menos de 48 horas após Flávio Bolsonaro (PL-SP) dizer que seu “preço” para desistir da hipotética candidatura à presidência da República para 2026 seria livrar seu pai da cadeia.

A informação nos corredores da Capital federal é de que a votação da proposta foi combinada por Motta com o ex-presidente, que condenado a 27 anos 3 meses de prisão, sendo 24 anos em regime fechado, pode ter sua pena reduzida pela metade, e assim, progredir para o regime semiaberto em apenas dois anos.

O objetivo de Motta é “limpar” o caminho para que Flávio seja retirado da disputa e assim, abrir espaço para a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Repub) à sucessão presidencial. Freitas não só é o preferido do Centrão e do mercado financeiro da “Faria Lima”, como é colega de partido do presidente da Câmara.

Prova

A prova de que essa estratégia é pensada, é a de que até os bolsonaristas mais radicais, que antes não admitiam nada mais do que uma anistia “ampla, geral e irrestrita” para seu “mito”, agora já manifestam apoio ao “PL da Dosimetria” como primeiro passo para salvar o ex-presidente golpista da prisão e recolocá-lo no cenário político.

“Fui o maior crítico da estratégia de se aprovar uma redução de penas antes de uma anistia ampla, geral e irrestrita. Mas, neste momento, reconheço que não temos outra opção melhor. Se eu estivesse no Congresso, votaria favoravelmente e continuaria lutando pela anistia”, escreveu o blogueiro Paulo Figueiredo, que junto com Eduardo Bolsonaro (PL-SP), passou os últimos meses articulando sanções do governo Trump contra o Brasil na esperança de intimidar a Justiça no julgamento contra o ex-presidente.

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Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

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