O desempenho das estatais federais voltou a preocupar a equipe econômica. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que, entre janeiro e outubro, o conjunto dessas empresas, excluindo Petrobras, Eletrobras e instituições financeiras, acumulou um déficit de R$ 6,35 bilhões. O resultado, que já se aproxima do rombo registrado em todo o ano passado, pressiona o esforço do governo para manter as contas públicas dentro da meta fiscal.
O desequilíbrio fiscal das estatais tem reflexos diretos no Orçamento. Por causa do resultado pior que o previsto, o governo bloqueou R$ 3 bilhões neste mês, valor que poderia ser destinado a outras áreas. O principal foco de preocupação é a situação dos Correios, que atravessam uma crise prolongada.
A empresa registrou prejuízo superior a R$ 4 bilhões apenas no primeiro semestre e, se nada mudar, o déficit pode chegar a R$ 10 bilhões neste ano e ultrapassar R$ 20 bilhões em 2026.
Para tentar reverter o cenário, a nova gestão aprovou um plano de reestruturação que inclui fechamento de agências deficitárias, incentivo à demissão voluntária, venda de imóveis e cortes em benefícios. A estatal também busca captar R$ 20 bilhões com um consórcio de bancos para recuperar liquidez.
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Apesar dos ajustes, a empresa reforça que não pretende abandonar o segmento em que detém monopólio: os serviços postais, que continuam gerando custos elevados.
Outra estatal que pressiona o caixa público é a Eletronuclear, responsável pelas usinas de Angra 1 e 2 e pelo canteiro parado de Angra 3. A empresa solicitou aporte de R$ 1,4 bilhão ao Tesouro, enquanto estudos apontam custos bilionários tanto para concluir quanto para abandonar definitivamente o projeto.
Mesmo com esses casos críticos, o Ministério da Gestão afirma que a maior parte das estatais registra lucro e que parte do déficit decorre de investimentos e pagamento de dividendos. Ainda assim, a deterioração dos resultados acende um alerta num momento em que o governo tenta sustentar o compromisso de zerar o déficit fiscal em 2026.
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