A partir de janeiro de 2026, trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês deixarão de pagar Imposto de Renda. A mudança, que foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (26), marca a maior alteração na tabela do IR em mais de uma década e atende a uma das principais promessas de campanha do petista.
O novo modelo também prevê descontos parciais para quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350. Acima disso, não haverá redução. De acordo com projeções do Ministério da Fazenda, cerca de 15 milhões de brasileiros devem ser beneficiados diretamente, mais que o dobro do contingente atualmente isento, formado por quem ganha até dois salários mínimos.
Para equilibrar as contas públicas, o governo aumentará a tributação sobre as altas rendas. Contribuintes que recebem acima de R$ 600 mil por ano, aproximadamente 140 mil pessoas, passarão a pagar uma alíquota adicional, que pode chegar a 10%. A lei também cria tributação sobre lucros e dividendos enviados ao exterior.
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Especialistas afirmam que o alívio na carga tributária pode abrir espaço para organizar a vida financeira. Um trabalhador que ganha R$ 5 mil sem dependentes, por exemplo, deixará de desembolsar cerca de R$ 312 por mês, o que representa economia anual superior a R$ 3,7 mil. Planejadores financeiros alertam, porém, que o impacto positivo depende de disciplina: o ideal é direcionar o valor para dívidas, reserva de emergência ou investimentos.
As novas regras só serão percebidas integralmente na declaração de 2027, referente ao ano-base 2026. O texto foi enviado pelo governo ao Congresso em março e aprovado com ampla maioria, foram 493 votos favoráveis na Câmara e aprovação simbólica no Senado. Não houve votos contrários, apenas 18 abstenções.
Com a sanção, o governo encerra um ciclo de oito anos de congelamento da tabela e inicia uma das maiores reformulações recentes no Imposto de Renda.
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