O Brasil encerrou 2024 com resultados inéditos nos principais indicadores sociais, segundo análise divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com base em levantamentos do IBGE, o estudo mostra que o país alcançou, no ano em questão, os menores níveis de pobreza, extrema pobreza e desigualdade desde o início das séries históricas na metade dos anos 1990.
Os dados indicam que, em três décadas, a renda média por pessoa cresceu de forma consistente, acumulando alta próxima de 70%. Paralelamente, o índice que mede a concentração de renda recuou de maneira significativa, enquanto a proporção de brasileiros em situação de pobreza extrema caiu para patamar inferior a 5%.
O levantamento aponta ainda que esse avanço não ocorreu de forma contínua. Houve dois períodos de melhora intensa: de 2003 a 2014 e, mais recentemente, entre 2021 e 2024. Entre esses ciclos, o país enfrentou recessão, recuperação lenta e um choque profundo provocado pela pandemia.
A partir de 2021 os indicadores voltaram a ganhar tração, impulsionados tanto pelo mercado de trabalho quanto pela ampliação das políticas de transferência de renda.
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Segundo o Ipea, programas sociais e o aquecimento do emprego tiveram peso semelhante na retomada pós-pandemia. No caso da extrema pobreza, o impacto das transferências foi ainda maior, refletindo a ampliação do Bolsa Família, do BPC e de auxílios criados ou reforçados nos últimos anos.
O estudo alerta, porém, que o impulso vindo dos programas sociais tende a diminuir, já que o ciclo de expansão orçamentária se encerrou. Com isso, a continuidade da melhora dependerá cada vez mais da capacidade de manter o mercado de trabalho ativo e de avançar em políticas que aliviem desigualdades estruturais.
Mesmo assim, o documento destaca que 2024 marca uma inflexão positiva: após anos difíceis, renda, pobreza e desigualdade voltaram a caminhar na mesma direção e, desta vez, para melhor.
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