Neste sábado (22), a partir das 13h, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promove o Encontro dos Amigos e Amigas do Movimento, no Espaço Cultural Elza Soares, na cidade de São Paulo, reunindo aliados para uma grande celebração do samba-enredo da Acadêmicos do Tatuapé para 2026.
A escola de samba, uma das mais tradicionais do estado de São Paulo, se inspirou na luta do MST para retratar a importância da Reforma Agrária e da agricultura familiar para alimentar o Brasil, com o lema: “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra”.
O evento terá início com uma tradicional feijoada e, logicamente, uma roda de samba, seguido de mística e ato político durante a tarde, sendo encerrado com a apresentação do samba-enredo da Acadêmicos do Tatuapé. Integrantes das escolas de samba Vai-Vai, Camisa Verde e Branco, Gaviões da Fiel e Nenê da Vila Matilde também farão coro durante a celebração.
A parceria entre MST e Acadêmicos do Tatuapé levará para o sambódromo, em 2026, o retrato da resistência das famílias camponesas e a exploração da concentração de terras no Brasil, feita pelos latifundiários e ruralistas do agronegócio. A nova parceria consolida o vínculo que o Movimento tem realizado com as manifestações culturais do carnaval nas quadras e passarelas em solo urbano.
“A festa, a gente espera que seja um grande momento de celebração dessa aliança entre o campo e a cidade, entre a arte e a luta social, entre a batida do tambor e o som do trabalho no campo. as inchadas em conjunto com os tambores fazendo essa grande sinfonia do povo uma oportunidade para reafirmar que a cultura é parte essencial da transformação social e que o samba assim como a terra é do povo e para o povo então aguardamos todos e todas” – conta Ana Chã, da coordenação do MST e do Espaço Cultural Elza Soares.
Em 2026, MST completa 30 anos levantando sua bandeira nas quadras e passarelas do samba
Sebastião Aranha, assentado da Reforma Agrária em Itapeva, interior de São Paulo, e um apaixonado pelo samba e as raízes de terreiro, conta que a primeira parceria do MST com uma Escola de Samba foi em 96, “fomos convidados a desfilar na Império Serrano, no Rio de Janeiro, em homenagem ao Betinho. ‘Um filho teu não foge à luta’, que era o tema do samba-enredo. E nós fomos com 50 companheiros de quatro estados, São Paulo, Rio, Minas e Bahia. Foi a primeira vez que um movimento social pisou no sambódromo do Rio de Janeiro.”
Depois disso, em 2002, foi a vez de desfilar na Nenê de Vila Matilde, em São Paulo. “Nós fomos em uma ala com 120 companheiros de São Paulo, que foi a última ala que encerrou o carnaval da Nenê de Vila Matilde. Depois tivemos alguns companheiros na Vila Isabel, numa homenagem ao Martinho da Vila que falava sobre Reforma Agrária”. – conta Aranha, entusiasta do samba.
Em 2023, 40 integrantes do Movimento desfilaram no sambódromo do Anhembi, em São Paulo, integrando a ala “Invisíveis” no desfile da Escola Camisa Verde e Branco, destacando a luta pelos direitos sociais no carnaval paulista, onde foi mostrado, inclusive, o emblema do MST, com a rainha de bateria.
Já no ano de 2024, o MST integrou uma ala da Escola de Samba Independentes de Boa Vista, em Vitória, no Espírito Santo, que realizou uma homenagem ao trabalho feito pelo fotógrafo Sebastião Salgado em parceria com o Movimento; em samba-enredo que foi campeão no estado capixaba. No mesmo ano, no estado do Paraná, militantes Sem Terra organizaram cursos sobre o carnaval e compuseram o desfile da escola Leões da Mocidade, em Curitiba.
No próximo ano de 2026, o Movimento dá continuidade a essa parceria que começou há 30 anos, com os grupos que fazem a cultura popular do carnaval nas quadras e passarelas urbanas, mostrando que a força da Reforma Agrária e da agricultura familiar também ecoam nas cidades, em conjunto com escolas de samba e blocos de rua pelo país.
“Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra”
“Para o MST o carnaval também é um território de disputa simbólica, um espaço onde o povo toma as ruas, canta e dança a sua própria história. Ver uma escola como a Tatuapé trazer para a avenida o tema da luta pela terra, da produção de alimentos saudável da cultura camponesa, é certamente um gesto político, poético, comunitário, que ajuda a passar a nossa mensagem para milhões de pessoas. E é neste sentido que precisamos cada dia reafirmar a necessidade da Reforma Agrária Popular.” – citou Chã.
Ana explica que na visão do MST, o carnaval, assim como a Reforma Agrária, são expressão da criatividade, da resistência, da esperança de um país que continua acreditando na possibilidade de construir outras formas de organizar a vida, onde não seja o lucro e o individualismo que ditem as regras:
“Queremos que esse momento seja um momento de muita alegria e de celebrar não apenas esse reconhecimento mútuo entre o movimento e o mundo do samba, mas também essa força da cultura popular como um instrumento de luta, um instrumento de memória e de afirmação do povo brasileiro” – destacou a coordenadora.
SERVIÇO
MST entra em clima de Carnaval celebrando o samba enredo da Acadêmicos do Tatuapé, em São Paulo
Dia: 22 de outubro de 2025
Horário: das 13h às 19h Local: Espaço Cultural Elza Soares – Alameda Eduardo Prado, 474 – Campos Elíseos Entrada gratuita. Almoço e bebidas vendidas no local.
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