A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, anunciada nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abriu uma nova frente de críticas ao governo dentro de setores que defendem maior diversidade no sistema de Justiça.
Entidades que já haviam sugerido nomes femininos para a vaga, entre elas Fórum Justiça, Plataforma Justa e Themis Gênero e Justiça, afirmam que a escolha reforça um padrão histórico de sub-representação de mulheres e pessoas negras nos espaços de cúpula do Estado.
Para esses grupos, não se trata de contestar a trajetória de Messias, mas de cobrar que o discurso de inclusão seja acompanhado de decisões concretas.
O debate ganhou força porque, com a aposentadoria de Rosa Weber no ano passado e a escolha de Flávio Dino para substituí-la, o STF passou a contar com apenas uma ministra: Cármen Lúcia, também indicada por Lula em 2006.
A queda da presença feminina no tribunal tem sido apontada como um sinal de retrocesso em um momento de renovação da Corte.
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Nos bastidores, entretanto, a avaliação entre aliados do presidente é de que Lula pretende compensar o desgaste ao nomear uma mulher para comandar a Advocacia-Geral da União, no lugar deixado por Messias.
Três nomes circulam com força: Anelize Almeida, atual procuradora-geral da Fazenda Nacional; Isadora Cartaxo de Arruda, secretária-geral de Contencioso; e Adriana Venturini, procuradora-geral federal. Todas ocupam cargos de segundo escalão na instituição e têm trajetória consolidada na área jurídica.
Caso a escolha se confirme, o governo chegaria a 11 ministras entre as 39 pastas, reforçando a imagem de compromisso com a representatividade feminina na Esplanada. Se Lula optar por um nome masculino, o mais cotado é o de Flávio Roman, hoje o número dois da AGU.
A definição deve ocorrer nos próximos dias e será acompanhada de perto por movimentos que veem na ocupação desses cargos estratégicos um termômetro das prioridades do governo para a política de igualdade.
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