Uma mulher foi vítima de tentativa de homicídio motivada por intolerância religiosa em Mogi Mirim, interior de São Paulo. Miryan de Oliveira Silva, praticante de umbanda, foi esfaqueada sete vezes por um casal de vizinhos que invadiu sua residência no bairro Aterrado após meses de perseguição racista.
De acordo com o boletim de ocorrência, Marcelo Aparecido Ramalho, de 54 anos, e Leide Cristiane da Silva Borges, de 39 anos, pularam o muro da casa da vítima por volta das 22h. Durante o ataque, Marcelo segurou Miryan enquanto Leide desferia múltiplas facadas em seu tórax e braço.
A tia da vítima, Chayene Cavalcante, relatou que a perseguição começou pouco após Miryan se mudar para o bairro, no último mês de junho. “Começaram a aparecer papéis na casa dela com ameaças. O primeiro veio manchado, parecido com sangue, e dizia para ela sair do bairro, chamando-a de ‘macumbeira'”, contou.
A violência psicológica escalou para danos patrimoniais: o muro da residência foi pichado com frases como “fora macumbeira” e “vai para o inferno”, e os agressores chegaram a jogar fezes no quintal de Miryan antes do ataque físico culminar na invasão e esfaqueamento

Ferida gravemente, Miryan conseguiu se soltar e correr até a rua, onde vizinhos ouviram seus gritos e acionaram o resgate e a Polícia Militar. A vítima foi encaminhada ao hospital local e passa por tratamento das lesões.
Os PMs localizaram na casa dos suspeitos a faca utilizada no crime e roupas com vestígios de sangue escondidas sob a cama. O casal foi preso em flagrante e encaminhado à Central de Polícia Judiciária de Mogi Guaçu, onde aguarda audiência de custódia.
A família manifesta preocupação com a segurança de Miryan após sua recuperação. “Minha sobrinha está desesperada porque precisará mudar de casa. Não sabemos se eles vão voltar. Presos, eu sei que estão, mas por quanto tempo? Se forem soltos, minha sobrinha poderá ter uma vida normal?”, questiona Chayene.
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