A diretora da Escola Municipal de Educação Infantil Antônio Bento, Aline Aparecida Floriano Nogueira, pediu afastamento médico do cargo dias após a invasão de quatro policiais militares fortemente armados à unidade de ensino. O caso ocorreu na última quarta-feira (12) após um soldado da PM-SP acionar a corporação porque sua filha de 4 anos havia feito um desenho da orixá Iansã durante atividade pedagógica.
O afastamento foi confirmado nesta sexta-feira pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, que não informou o prazo de duração da licença médica. A diretora relatou ter passado aproximadamente 20 minutos sendo questionada pelos agentes armados dentro da escola.
“Me apresentei como diretora da unidade, perguntei se eram da ronda escolar e disse: ‘Não sabia que ronda escolar entra armada na escola'”, contou Aline Nogueira sobre o momento em que foi abordada pelos PMs. O episódio deixou crianças, professores e funcionários em estado de choque, com a diretora sendo submetida a interrogatório inadequado em ambiente educacional.
A Secretaria Municipal de Educação negou que qualquer professor tenha sido afastado do cargo após o ocorrido, mas a saída da diretora temporariamente evidencia o impacto traumático da ação policial desproporcional.
O Ministério Público de São Paulo pediu acesso às filmagens das câmeras de segurança da escola e às câmeras corporais dos PMs para apurar abuso de autoridade, intimidação e possíveis violações de direitos humanos no caso.
O pai que acionou a polícia – identificado como soldado da 1ª Classe da PM-SP – havia destruído um mural com trabalhos infantis no dia anterior ao episódio e ignorou convite para participar do Conselho de Escola, optando pela via da intimidação policial armada.
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