O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) sediou nesta terça-feira (18) o seminário “Vozes Negras”, um encontro dedicado a discutir protagonismo negro, políticas de reparação histórica e a efetivação dos Direitos Humanos no Brasil. O evento, realizado pelo Núcleo de Diversidade e Inclusão (NDI) do TRE-PR, reuniu representantes do sistema de Justiça, pesquisadoras, lideranças e especialistas de diversas áreas.
Com participação gratuita e auditório cheio ao longo de todo o dia, o seminário abriu espaço para debates profundos sobre raça, democracia e transformações sociais necessárias. A programação abordou temas essenciais para compreender a realidade da população negra e os desafios enfrentados nos campos jurídico, político, educacional e cultural.
Durante a programação, o público também acompanhou o lançamento do livro “Mulheres com N Maiúsculo”, obra colaborativa que reúne perfis de mulheres pretas escritos por comunicadoras e escritoras negras. Idealizado por Claudia Kanoni e coordenado em parceria com Aline Reis, o livro fortaleceu ainda mais o caráter do seminário ao colocar a produção intelectual negra e o protagonismo feminino no centro das discussões do dia.
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Para Ivanete Paulino Xavier, da Rede Mulheres Negras e a primeira presidente negra do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDM/PR), a realização de eventos como esse é necessária para ampliar a representatividade.
“A participação do Vozes Negras é fundamental porque normalmente nós somos invisibilizadas, não somos ouvidas, e participar desse seminário aqui no Tribunal Regional Eleitoral traz a racionalidade da questão de gênero e raça. Participar deste seminário, sobretudo no mês do Novembro Negro, na semana da consciência negra, onde a sociedade está sendo convidada a perceber, não só as nossas dores, mas também celebrar as nossas conquistas, é muito importante”, enfatizou.
Um dos destaques foi a fala da jornalista Dulcineia Novaes, que contou um pouco sobre sua trajetória no jornalismo e enfatizou a importância de que a população se torne antirracista.
“Que não seja só no mês de novembro que a gente discuta esse assunto. Racismo é crime e a gente tem que entender o quão é grande a nossa responsabilidade para combater o preconceito racial. Que seja uma pauta comum de discussões diárias para que isso acabe. Essa é a missão de todos que estão aqui hoje, enquanto homens, mulheres, brancos não brancos, que a gente leve isso como uma pauta de discussão diária para acabar com o racismo nesse país”, ressaltou.
Ao longo do evento, foram debatidos temas que atravessam diferentes dimensões da vida e da cidadania negra, como novos paradigmas de direitos e dignidade humana; reflexões sobre movimento social, sindicalismo e democracia antirracista; e saúde, autoestima e protagonismo negro na tecnologia.
Também foram discutidos os desafios da Escola Antirracista, as implicações da perspectiva racial no Judiciário a partir dos protocolos do CNJ, além de debates sobre Justiça e Direitos Humanos no enfrentamento ao racismo estrutural. O evento ainda promoveu homenagens a Dora Lucia Bertulio e Diva Guimarães, referências nacionais na luta antirracista.
O seminário foi realizado em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná (OAB-PR) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Também apoiam o evento o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT9), a Justiça Federal do Paraná (JFPR), a Defensoria Pública do Paraná (DPE-PR), a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o Ministério Público do Paraná (MPPR) e a Defensoria Pública da União no Paraná (DPU).
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