Policiais militares invadiram uma creche municipal de São Paulo (SP) com armas em punho, na última quarta-feira (12), e ameaçaram educadores por causa de uma aula sobre religiões de matriz africana que fazia parte da celebração do Dia da Consciência Negra.
A invasão da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento ocorreu um dia após um pai de um aluna e também sargento da PM evangélico ter ido até a escola para cobrar explicações da professora responsável pela aula.
- Padre é acusado de racismo após interromper ritual de matriz africana em cemitério de SP
- Congadar: congado psicodélico de MG na resistência contra o racismo e a intolerância
- Reduto bolsonarista, Santa Catarina tem 44 casos diários de violência contra professores
O pai rasgou desenhos das crianças, inclusive o da própria filha de 4 anos, não compareceu à reunião com a direção e chamou a Polícia Militar. Quatro PMs, um deles armado com metralhadora, entraram na escola, intimidaram diretora e funcionária por cerca de 20 minutos, gerando pânico.
A educadora tentou explicar que atividade pedagógica antirracista ensinava sobre orixás de forma lúdica e educativa, conforme a lei federal 10.639/2003 e o currículo da rede municipal de São Paulo. A aula tinha como base o livro “Ciranda de Aruanda”, de Liu Olivina.
Após intervenção de outros pais, os policiais saíram. Pais e comunidade fizeram abaixo-assinado e programara um ato em defesa da escola e da educação antirracista. O Sindicato dos Profissionais em Educação do Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) emitiu nota oficial de repúdio à invasão da PM e de apoio à diretora, professores e funcionários da EMEI Antônio Bento.
A diretora registrou boletim de ocorrência na polícia. A Corregedoria da PM afirmou que abriu investigação sobre a conduta dos policiais.
Bookmark