A Câmara Municipal de Garuva, município de 18 mil habitantes do Litoral norte de Santa Catarina, pode votar ainda nesta segunda-feira (17) um projeto que aumenta o salário do prefeito da cidade, Plotino Bitencourt, do PL – partido de Jair Bolsonaro – dos atuais R$ 30 mil para quase R$ 43 mil mensais, um salto de 41,3%.
O valor é pouco menor que o teto máximo do funcionalismo público no Brasil, de R$ 46.366,19 mensais. Esse é o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
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Médicos
A proposta foi apresentada na última sexta-feira (14), pelo presidente do Legislativo local, Reginaldo Mews Rosa, também do PL, e a primeira-secretária da Casa, Helena Aparecida Costa Chaves (Podemos), e está pautada para a sessão desta segunda.
A justificativa do prefeito para o aumento exponencial é de que, em outubro, os médicos do município protocolaram um pedido coletivo de reajuste salarial.
Caso a proposta seja aprovada, ela também beneficiará o ex-prefeito e atual chefe de gabinete de Plotino, Rodrigo Adriany David (MDB). De acordo com informações do Portal de Transparência de Garuva, o Dr Rodrigo, como o político é conhecido, recebe atualmente um salário de R$ 40.381,06 mensais.
Saneamento básico
O salário generoso que os vereadores pretendem conferir ao prefeito bolsonarista contrasta com os indicadores sociais e de infraestrutura do município. Garuva não tem rede de coleta e tratamento de esgoto pública.
A cidade depende majoritariamente de soluções individuais como fossas sépticas (28% dos domicílios) e rudimentares (40%), o que significa que o esgoto não passa por estações de tratamento coletivas.
A falta de infraestrutura em saneamento básico leva ao despejo direto de efluentes em rios e solos. Isso contamina lençóis freáticos e mananciais, com 1,4% dos domicílios da cidade em risco de inundação por falhas em drenagem pluvial.
Mais da metade das ruas da cidade não é asfaltada.
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