Um dos maiores bastiões da extrema-direita bolsonarista no país, o Estado de Santa Catarina vive atualmente uma epidemia crescente de violência contra professores da rede pública de ensino. Levantamento do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Estadual (SINTE-SC), divulgado na última semana, revela que os educadores catarinenses são vítimas em média de 44 casos de violência a cada dia letivo.
Os dados foram expostos em audiência pública na Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa local. De acordo com a pesquisa, somente até setembro deste ano foram mais de 6,8 mil episódios de violência contra esses profissionais registrados oficialmente.
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Agressões
Segundo a entidade, os professores sofrem agressões físicas, verbais, ameaças e perseguição nas redes sociais, especialmente em temas políticos, de gênero e sexualidade. Essa situação faz com que os próprios docentes se autocensurem por medo de retaliação.
Outra pesquisa do Observatório Nacional da Violência contra Educadores mostrou que SC está entre os estados com maior número de registros desses episódios e que os casos explodem em anos eleitorais (2018 e 2022). De acordo como os números, 64% dos educadores do Sul do país já sofreram algum tipo de violência dessa natureza.
Proteção
Diante da situação, a deputada Luciane Carminatti (PT) apresentou um projeto que cria medidas protetivas e protocolos para casos de violência contra profissionais da educação. “Parece que virou troféu destruir professor”, criticou ela.
A proposta levou a Secretaria de Estado da Educação a se comprometer a lançar, no início do ano letivo de 2026, um programa de enfrentamento à violência contra educadores, com serviços de apoio às vítimas.
“A sociedade e o Estado sinalizam que o professor é dispensável. Há baixa procura dos cursos de licenciatura, um apagão de professores. Não é atrativo ser professor neste país”, alertou a presidente do sindicato Elivane Secchi.
Pesquisadores que participaram do debate apontaram como causas para essa onda crescente de violência contra professores a desvalorização do magistério, precariedade nas escolas, falta de envolvimento familiar e uso político da perseguição a professores.
Perseguição
Reportagem exclusiva da jornalista Jess Carvalho, publicada pelo Brasil Fora da Caverna no último dia 26 de setembro, revelou que professores da Escola Estadual Muquém, em Florianópolis, vêm sofrendo perseguições desde 2022 por defenderem direitos trans e temas de gênero.
De acordo com as informações, o líder conservador local Manoel Abílio Pacífico seria um dos agressores que também promove ódio online contra a categoria. Em vez de proteção, a Secretaria de Educação do Governo Jorginho Mello (PL) pune as vítimas com processos administrativos.
Grupos bolsonaristas pressionam pela militarização das escolas, apoiados por vereadores do PL de Jair Bolsonaro. O estado é omisso, o clima é de medo e os professores são abandonados à própria sorte.
Um dos casos emblemáticos citados na reportagem está o do professor de artes Andrei Pereira Dorneles, agredido fisicamente com socos e pontapés por Manoel Abílio Pacífico em 25 de junho, na porta da escola. O educador também foi alvo de violência digital e teve que mudar de casa por medo de represálias.
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