A Justiça do Reino Unido colocou a mineradora BHP no centro da responsabilidade pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ao divulgar, nesta sexta-feira (13), uma decisão considerada histórica. O Tribunal Superior de Londres concluiu que a companhia anglo-australiana teve papel direto no colapso que marcou o maior desastre socioambiental já registrado no Brasil. O valor das indenizações ainda será definido numa nova fase do processo, prevista para outubro de 2026.
Segundo o tribunal, a BHP falhou em prevenir um risco que já era conhecido. A sentença aponta negligência grave, citando sinais ignorados, estudos essenciais não realizados e a continuidade da elevação da barragem mesmo diante de alertas técnicos.
A mineradora, acionista da Samarco ao lado da Vale, foi enquadrada como responsável objetiva, ou seja, deve responder pelos danos independentemente da comprovação de culpa. A Vale, embora também envolvida no desastre, não faz parte dessa ação específica no Reino Unido.
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A decisão abre caminho para que o processo siga para a fase de cálculo das indenizações individuais. A ação reúne cerca de 620 mil atingidos, incluindo moradores, municípios, comunidades tradicionais, empresas e igrejas, que reivindicam cerca de R$ 230 bilhões. O tribunal também confirmou que brasileiros que já foram indenizados no país terão seus acordos reconhecidos no exterior, o que deve reduzir parte dos valores pleiteados.
A BHP afirmou que vai recorrer, mas reforçou que segue comprometida com os esforços de reparação no Brasil. Desde 2015, BHP, Vale e Samarco destinaram mais de US$ 13 bilhões para compensações e obras de reconstrução, montante que inclui o acordo de R$ 170 bilhões fechado em 2024 com autoridades brasileiras.
O rompimento completou dez anos neste mês, mas seus impactos continuam visíveis ao longo do Rio Doce e de dezenas de cidades atingidas pela lama que matou 19 pessoas e destruiu comunidades inteiras. Para os representantes das vítimas, a decisão britânica é um marco numa busca que já atravessa uma década.
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