Skip to content Skip to footer

PF expõe rota de R$ 640 milhões desviados do INSS

INSS
(Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (13), expôs com mais clareza o tamanho e a complexidade do esquema que desviou centenas de milhões de reais de aposentados e pensionistas do INSS por meio da Conafer. Documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal detalham como a engrenagem criminosa funcionava, quem atuava em cada etapa e por que as prisões preventivas foram consideradas urgentes pelos investigadores.

Segundo a PF, a Conafer, que mantinha convênios com o INSS para realizar descontos diretamente na folha de beneficiários, manipulo­u dados, criou filiações falsas e apresentou listas de supostos associados que jamais autorizaram qualquer cobrança.

O convênio rendia valores expressivos: só entre 2019 e 2024, a entidade recebeu R$ 708 milhões, dos quais R$ 640 milhões teriam sido desviados. A estimativa geral, considerando outras associações suspeitas, chega a R$ 6,3 bilhões em fraudes que atingiram milhões de segurados.

No topo da estrutura, afirmam os documentos, estava o presidente da Conafer, Carlos Lopes, apontado como articulador político e mentor do esquema. Sua prisão foi decretada, mas ele ainda não havia sido encontrado até a noite de quinta. O irmão, Tiago Abraão, vice-presidente da instituição, foi detido. Ele é acusado de inserir dezenas de listas fraudulentas que permitiram que mais de 650 mil benefícios sofressem descontos indevidos.

No núcleo financeiro, o operador Cícero Marcelino desempenhava papel essencial: organizava planilhas, distribuía pagamentos e movimentava recursos em nome de terceiros. Ele é considerado o responsável por operacionalizar repasses a agentes públicos e estruturava parte das empresas de fachada usadas na lavagem.

Entre os servidores federais investigados, dois ex-presidentes do INSS aparecem como peças-chave. Alessandro Stefanutto, preso nesta quinta, é apontado como responsável por garantir a manutenção administrativa do convênio irregular. A PF afirma que ele recebia repasses mensais que chegavam a R$ 250 mil, pagos via intermediários e empresas fictícias.

Já José Carlos Oliveira, que além de dirigir o INSS foi ministro da Previdência no governo Bolsonaro, teria atuado de forma estratégica por anos, liberando valores sem comprovação de filiações e mantendo comunicação direta com operadores do grupo. Ele aparece em planilhas com os codinomes “Yasser” e “São Paulo”, associado a repasses indevidos e a decisões que favoreceram a continuidade do esquema.

A PF sustenta que, mesmo após a primeira fase da operação, integrantes continuaram movimentando bens, esvaziando contas e tentando reorganizar contratos, o que motivou os pedidos de prisão. Para os investigadores, a estrutura criminosa só funcionou devido à interação entre três frentes bem definidas: comando, finanças e apoio político. A apuração segue no STF.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

07 jan 2026

Crise climática é oportunidade para discutir novo modelo de sociedade, diz ex-presidente do PSOL

Juliano Medeiros defende que esquerda aproveite transição energética para discutir alternativas ao capitalismo e ao neoliberalismo
14 jan 2026

Maior doador das campanhas de Tarcísio e Bolsonaro, empresário é preso sob suspeita de fraude no Banco Master

Fabiano Zettel foi detido quando embarcava para Dubai, teve passaporte e celular apreendidos e foi liberado em seguida

Advogado “cristão” diz que “morador de rua tem o dever de passar fome”

Advogado é pré-candidato ao Senado por Minas Gerais
14 jan 2026

Porta na cara: nos EUA, Marco Rubio esnoba Flávio Bolsonaro

Pré-candidato da extrema-direita à Presidência viajou para os Estados Unidos na esperança de encontrar integrantes do alto escalão do governo Trump
12 jan 2026

“Casa de Vidro” do BBB virou palco de protestos contra escala 6 X 1

Manifestantes aproveitaram a visibilidade dada pelo programa de TV para reforçar a defesa de uma jornada semanal de trabalho mais humanizada
12 jan 2026

Dor de cotovelo: ator de Malhação não se conforma com premiação de Wagner Moura

Além de Moura, a obra dirigida pelo também brasileiro Kleber Mendonça ganhou o Globo de Ouro de melhor filme de língua não inglesa

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário