A atuação desastrosa do secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas e deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) na discussão do PL Antifacção apresentado pelo governo Lula, escancarou de vez o pavor que a direita – Centrão e bolsonaristas inclusos – tem da Polícia Federal (PF). Medo esse que é plenamente justificado por uma série de ações recentes da corporação contra o crime organizado e seus aliados no mundo político e empresarial.
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Carbono Oculto
O exemplo mais evidente é a “Carbono Oculto”, megaoperação policial e fiscal deflagrada em 28 de agosto de 2025, considerada a maior da história do Brasil contra o crime organizado, e que atingiu dez estados para desarticular um esquema bilionário de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis, controlado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e outras facções criminosas.
A investigação revelou o uso de empresas de fachadas e laranjas para simular compras de combustível, além de depósitos bancários em fintechs e investimentos no mercado financeiro para escapar de impostos, em um esquema que não poderia ser escondido se não tivesse apoio político e infiltração nos próprios órgãos de segurança.
Emendas
Mas as razões para que os políticos de direita tenham temor com o avanço da PF não para por aí. Dezenas de deputados e políticos com ou sem mandato estão envolvidos em investigações sobre desvio de milhões de reais de recursos de emendas parlamentares ao Orçamento da União Total de Deputados Envolvidos: pelo menos 10 deputados federais citados.
Uma análise do Tribunal de Contas da União identificou 92 políticos alvos de mais 80 inquéritos no Supremo Tribunal Federal sobre o esquema. As investigações tomaram impulso após determinações do ministro Flávio Dino para que elas fossem ampliadas e aprofundadas para apurar crimes como corrupção e organização criminosa.
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