Marielle Franco será homenageada nesta terça-feira (04), em Harvard, uma das principais instituições de ensino do mundo, com a Medalha W.E.B. Du Bois, honraria máxima do departamento de Estudos Africanos e Afro-Americanos da universidade estadunidense.
É a primeira vez que uma brasileira entra nessa lista, e apenas a segunda latino-americana, depois de Francia Márquez, em 2024. A distinção celebra trajetórias que ampliam o legado intelectual e cultural de populações africanas e da diáspora.
Nascida e criada no Complexo da Maré, no Rio, Marielle fez da política um instrumento de defesa dos direitos humanos, das mulheres negras, da população LGBTQIA+ e das periferias.
Eleita vereadora em 2016, presidiu a Comissão de Direitos Humanos e tornou-se referência no enfrentamento à violência de Estado. Seu assassinato, em 14 de março de 2018, ao lado do motorista Anderson Gomes, virou símbolo mundial de luta por justiça.
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A homenagem também reconhece a conexão entre militância, produção acadêmica e incidência pública no campo afro-diaspórico. O Instituto de Pesquisas Afrolatino-Americanas (ALARI), ligado a Harvard, havia convidado Marielle para um simpósio em 2018. Seis semanas antes do evento, ela foi morta.
Para o diretor fundador do ALARI, Alejandro de la Fuente, figuras como Marielle desafiaram estruturas racistas e patriarcais e, apesar da violência, suas ideias seguem impulsionando o campo dos Estudos Afrolatino-Americanos.
As investigações e a responsabilização avançaram. Em outubro de 2024, os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram condenados por executarem o crime. Lessa, pelos disparos; Élcio, por conduzir o carro.
Já os apontados como mandantes, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, e o ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, respondem a ação penal no STF, relatada por Alexandre de Moraes. As audiências foram concluídas em 2024; o processo segue em fase de instrução, sem data de julgamento.
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