Mais de 20 personalidades, entre artistas, jornalistas, ativistas e lideranças sociais, uniram-se em um vídeo lançado nesta segunda-feira (26) para pedir a volta de Assmaa Abdelmalik Abu Aljedian e seus quatro filhos ao Brasil. A palestina, que morou no país por 16 anos, encontra-se retida em Gaza em meio ao conflito. Seu pai, tios e primos vivem no Rio de Janeiro, e advogados recorrem a mecanismos legais para garantir que a família seja trazida de volta com segurança, com apoio do Governo Federal. Veja o vídeo na íntegra aqui.
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“Assmaa e seus filhos estão em situação de risco extremo. A legislação brasileira garante mecanismos de proteção para casos como este, e a sociedade civil está unida para que essa família possa se reencontrar em segurança”, afirmam os organizadores da campanha.
A mobilização busca pressionar o governo a acelerar a naturalização do pai de Assmaa, condição que permitiria a abertura do processo de reunião familiar previsto na Lei de Migração.
O vídeo reúne falas curtas e emocionadas de diversas personalidades, todas em um mesmo apelo: que o Brasil aja com rapidez e sensibilidade para proteger a vida e a dignidade da família.
A iniciativa ressalta que o caso de Assmaa é também um símbolo do compromisso do país com valores humanitários e com os direitos assegurados pela legislação nacional.
Quem é Assmaa
Assmaa viveu no Brasil dos 4 aos 20 anos, onde estudou e criou vínculos profundos. Em 2006, após a separação dos pais, viajou para a Palestina a fim de visitar o avô. Com a intensificação dos conflitos e o fechamento das fronteiras, não conseguiu retornar. Casou-se em Gaza, teve quatro filhos e trabalhou com cosméticos. Mas, desde a escalada da guerra em outubro de 2023, sua vida foi marcada pela insegurança e pelo medo constante.
Baseada no princípio da reunião familiar, ela solicitou apoio ao governo brasileiro para retornar. Apesar de não ser naturalizada, mantém laços fortes com o país, onde vive seu pai doente, no Rio de Janeiro. O pedido foi negado porque, segundo o Itamaraty, o Brasil tem retirado apenas cidadãos brasileiros e familiares diretos de brasileiros naturalizados.
Os advogados apontam uma particularidade: o pai de Assmaa vive há anos em condição comparável à apatridia, situação que o Brasil tem obrigação internacional de combater. Por conta da doença e da falta de apoio, ele não conseguiu se naturalizar e, por isso, não pôde incluir a filha e os netos nos voos de repatriação organizados anteriormente.
“Um lado da família do Sr. Abdelmalik é naturalizado e bem-sucedido no Rio. Mas ele, o irmão pobre e doente, vê a família ser sacrificada no genocídio, porque ninguém percebeu que seu status de refugiado venceu, que ele não se naturalizou, que não tem quem cuide dele”, explica Heitor Carvalho, advogado de Assmaa.
Negar a entrada da família, defendem os apoiadores da campanha, é condenar uma mãe e quatro crianças à violência, à fome e ao desespero. Mais do que uma decisão política ou burocrática, o caso exige um gesto de humanidade.
“Preciso salvar meus filhos, levá-los a um lugar seguro. Morei 16 anos no Brasil. Deveria ter o direito de voltar. Não aguento mais vê-los com fome e medo, sem saber se estaremos vivos amanhã”, suplica Assmaa.
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