Skip to content Skip to footer

Com eleitores cada vez mais desconfiados, marketing político se reinventa para engajar e enfrentar desinformação e hiperconectividade

O publicitário e especialista em marketing político, Guto Araújo. (Foto: Divulgação)

O marketing político brasileiro passa por uma reinvenção. Em um ambiente saturado por desinformação, polarização e cansaço do eleitor, campanhas eleitorais precisam ir além de promessas genéricas e peças publicitárias tradicionais. O atual momento exige coerência narrativa, uso estratégico de tecnologia, autenticidade e participação das pessoas.

Essa nova lógica é reforçada por dados recentes que ajudam a compreender o comportamento do eleitor e a adaptação das campanhas. O Digital News Report 2023, produzido pela Universidade de Oxford e o Instituto Reuters, destaca o Brasil como um dos países com maior uso de redes sociais como fonte primária de informação política, especialmente entre jovens de 18 a 34 anos.

Segundo pesquisa do Instituto DataSenado, 79% dos brasileiros usam o WhatsApp como principal canal de informação sobre política e sociedade, seguido por YouTube (49%), Facebook (44%) e TV aberta (43%). Isso significa que 45% dos eleitores já decidiram seu voto com base em conteúdos vistos nas redes sociais, evidenciando o papel central que plataformas digitais passaram a ter nas disputas eleitorais.

As campanhas eleitorais estão cada vez mais tecnológicas, mais agressivas e emocionalmente polarizadas. Há uma disputa constante por atenção, muitas vezes baseada no medo ou no confronto

revela o publicitário e especialista em marketing político, Guto Araújo.

De acordo com o profissional, não basta mais ter boas propostas e uma estética eficiente.

É preciso entregar coerência e conexão emocional. O eleitor de hoje está mais informado, porém também mais saturado. Quem pauta o debate público hoje é quem utiliza como matéria prima o que já está sendo debatido

analisa.

Com isso, para Araújo, o momento se torna desafiador e ao mesmo tempo promissor.

A tecnologia está redesenhando o campo político, mas isso exige responsabilidade. Os próximos ciclos eleitorais no Brasil serão definidos não apenas por grandes orçamentos, mas pela capacidade de engajar um público cada vez mais crítico e vigilante

avalia.

A seguir, Guto Araújo elenca cinco diretrizes que irão tomar conta das campanhas políticas em 2026:

1.Digitalização estratégica: plataformas como TikTok, Instagram e WhatsApp deixaram de ser apenas canais de divulgação e se tornaram arenas centrais de disputa simbólica. O uso de dados, automação e linguagem segmentada é fundamental para alcançar públicos diversos com precisão.

2.Gestão da confiança e da reputação pública: o eleitor de hoje não avalia apenas o discurso do candidato, mas sua trajetória, posicionamentos anteriores e coerência ao longo do tempo. A construção de uma imagem confiável é tão relevante quanto as propostas de governo.

3.Storytelling e emoção como diferenciais competitivos: a emoção é um gatilho de memória e decisão política. Por isso, narrativas autênticas e bem construídas são capazes de gerar identificação, mobilizar afetos e engajar diferentes segmentos do eleitorado.

4.Resposta ágil e profissionalização multidisciplinar: campanhas eficientes contam hoje com equipes que reúnem criativos que já pensem os formatos e textos de peça a partir de uma perspectiva digital. Além disso, especialistas em comportamento para monitorar o ambiente digital e reagir rapidamente a crises, ataques e fake news.

5.Participação ativa do eleitorado: ferramentas de escuta social, grupos focais e canais de feedback direto estão transformando o eleitor de receptor passivo em cocriador das mensagens. A lógica vertical da comunicação política está cedendo lugar a abordagens mais horizontais, dialogadas e colaborativas.

Bookmark

Redação BFC

Mais Matérias

30 nov 2025

Discurso misógino na prática: influenciador “Red Pill” Calvo do Campari é preso por agressão e tentativa de estupro

Vítima foi encontrada pela Polícia Militar na rua, com marcas visíveis de agressão, após conseguir pedir ajuda enquanto tentava se afastar do influenciador
29 nov 2025

“Mascote” de Deltan, vereador de Curitiba debocha e degrada homem em situação de vulnerabilidade

Guilherme Kilter (Novo), no vídeo, aparece degradando um homem, em uma ação calculada para gerar likes, ódio e polarização nas redes sociais
29 nov 2025

Marina Silva anuncia que governo pode judicializar derrubada de vetos ao “PL da Devastação”

Para Marina Silva, o discurso de modernidade e desenvolvimento adotado para justificar as mudanças no licenciamento ambiental serve para “disfarçar retrocessos
29 nov 2025

Trump anuncia que que operações militares por terra contra na Venezuela acontecerão “muito em breve”

A situação representa o mais recente capítulo na escalada de tensões entre Washington e Caracas

Justiça Federal condena Jovem Pan a pagar R$ 1,58 milhão por por veicular notícias falsas e incitar intervenção militar

A sentença destacou que a emissora “passou a investir de forma mais direta contra o processo eleitoral,

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário